quarta-feira, 4 de maio de 2011

Chuva de meteoros será visível a olho nu

Quem olhar para o céu na noite dos próximos dias poderá se deparar com um espetáculo diferente. O horizonte será cortado por uma chuva de meteoros do cometa Halley, visível a olho nu.

 cometa Halley

© NASA (cometa Halley)

As melhores condições de visibilidade estarão no hemisfério Sul. O melhor período para observá-la é entre a noite de quinta-feira (5/5) e a manhã de sexta (6/5). Dessa vez, quem estiver no Brasil, se a meteorologia ajudar, poderá obervar o fenômeno, porém o ideal são locais mais afastados da poluição luminosa das grandes cidades.

Os meteoros que passam perto da Terra são detritos do cometa Halley. Ao penetrar na atmosfera, estes meteoros passam a ser denominados meteoroides, deixando rastros incandescentes devido ao atrito. Em condições ideais, devem ser vistos entre 40 e 60 meteoroides por hora.

 núcleo do cometa Halley

© ESA/Giotto (núcleo do cometa Halley)

Um resquício antigo da formação do Sistema Solar, o cometa Halley completa uma volta ao redor do Sol a cada 76 anos. A última vez em que ele se aproximou da Terra foi em 1986. Seu retorno será em 2061.

Ainda assim, a trilha de poeira gelada que ele deixa pode ser vista duas vezes por ano, quando nosso planeta cruza o caminho dessas partículas. No mês de maio, essa chuva recebe o nome de Eta Aquarídea, porque o fenômeno parece começar perto dessa estrela da constelação de Aquário. Em outubro, ela se chama Orionídea. O radiante da Eta Aquarídea é mostrado no mapa celeste a seguir.

radiante no hemisfério sul da Eta Aquarídea

© Cosmo Novas (radiante no hemisfério sul da Eta Aquarídea)

Apesar de começarem na constelação de Aquário, não será preciso olhar diretamente para ela para ver os meteoroides caindo, pois eles podem aparecer em qualquer parte do céu.

Fonte: NASA e Cosmo Novas

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Rota de um cometa

Aficcionados que costumam tirar fotos do céu, e observar fenômenos astronômicos interessantes, podem se tornar importantes colaboradores da ciência na era da Internet.

rota do cometa Holmes

© Dustin Lang e David Hogg (rota do cometa Holmes)

Dois astrônomos profissionais conseguiram traçar a órbita ainda desconhecida de um cometa, no último mês, graças a uma série de fotos amadoras disponíveis na web às quais eles tiveram acesso.

Um dos astrônomos é da Universidade de Princeton (EUA) e o outro do Instituto Max-Palnck de Astronomia em Heidelberg, na Alemanha. Em outubro de 2007, o cometa 17P/Holmes foi considerado pela Astronomia o corpo celeste mais brilhante do Sistema Solar, o que levou uma legião de curiosos a tentar fotografá-lo.

Usando um simples mecanismo de busca na Internet, eles encontraram 2.476 fotos do cometa Holmes. A partir de um site especializado em Astronomia, 1.299 delas foram consideradas fotos noturnas legítimas, nas quais se podia estudar. Calculando onde cada foto situou o cometa no tempo e no espaço, foi possível identificar a rota completa por onde passou o Holmes, e a Astronomia agora já conhece sua órbita.

A dupla de astrônomos parece animada com os resultados obtidos. Eles já planejam o próximo trabalho baseado exclusivamente em fotos amadoras da rede mundial. Será para definir o itinerário de outro cometa, o Hayakatuke, que aparece em 3.500 fotos diferentes apenas no site Flickr.

Fonte: Popular Science

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Existência de água líquida em cometas

Foram encontrados indícios de água líquida no passado dos cometas, desbancando a ideia de que eles nunca experimentaram calor suficiente para derreter o gelo que forma a maior parte de sua massa.
cometa Holmes
© Vicent Peris (cometa Holmes)
Os pesquisadores, liderados por Eva Berger, da Universidade do Arizona, fizeram a descoberta analisando grãos de poeira do cometa Wild-2, trazidos de volta à Terra pela sonda Stardust.
Lançada em 1999, a sonda Stardust capturou minúsculas partículas lançadas da superfície do cometa em 2004, usando um material super leve, chamado aerogel, e as trouxe de volta à Terra em uma cápsula que aterrissou no estado de Utah, nos Estados Unidos, dois anos depois.
Na nossa amostra, foram encontrados minerais que se formam na presença de água líquida,  indicando que em algum ponto da sua história, o cometa conteve 'reservatórios' de água.
Os cometas são frequentemente chamados de "bolas de neve sujas" porque são formados principalmente de água congelada, e de fragmentos de rochas e gases congelados.
"Quando o gelo derreteu no Wild-2, a água quente resultante dissolveu minerais que estavam presentes naquele momento, precipitando os minerais na forma de sulfetos de ferro e cobre que observamos em nosso estudo", diz Dante Lauretta, coautor do estudo. "Os sulfetos se formaram entre 50 e 200 graus Celsius, muito mais quente do que as temperaturas abaixo de zero previstas para o interior de um cometa."
Ao contrário dos asteroides, pedaços extraterrestres formados por rochas e minerais, os cometas apresentam uma cauda formada por jatos de gás e vapor que o fluxo de partículas de alta energia vindas do Sol arranca de seus corpos congelados.
Mas os resultados da sonda Stardust também já haviam mostrado que há similaridades entre asteroides e cometas.
A descoberta dos sulfetos minerais de baixa temperatura é importante para a compreensão de como cometas se formaram, consequentemente fornece informações sobre a origem do Sistema Solar.
Além da evidência de água líquida, os ingredientes descobertos colocam um limite superior para as temperaturas que Wild-2 encontrou desde sua origem e ao longo de sua história.
O mineral que foi encontrado, a cubanita, é muito raro em amostras vindas do espaço. A cubanita é um sulfeto de ferro e cobre também é encontrado na Terra, em depósitos de minério expostos às águas subterrâneas aquecidas, e em um determinado tipo de meteorito.
Este mineral existe em duas formas, e a que encontramos só existe abaixo de 210 graus Celsius, significando que esses grãos não foram submetidos a temperaturas mais elevadas do que isso.
Fonte: Geochimica e Cosmochimica Acta

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cometas podem ter pouco carbono

No passado, cientistas detectaram moléculas carregadas de carbono em cometas, incluindo alguns aminoácidos simples, que são considerados os blocos de construção para a vida.
cometa C2004 Q2 Machholz
© NOAO (cometa C/2004 Q2 - Machholz)
A presença dessas moléculas orgânicas em cometas, bem como o fato de que os cometas atingem planetas regularmente, sugeriu que eles poderiam ter “semeado” a Terra com os materiais à base de carbono necessários para formar a vida.
Agora, pesquisadores descobriram que os cometas podem conter muito menos carbono do que se pensava. Isso implica que o papel que eles desempenharam na entrega dos ingredientes para a vida na Terra pode ser diferente do que se acreditava.
Para saber mais sobre o carbono nos cometas, os cientistas analisaram imagens de campo do cometa C/2004 Q2 (Machholz), registradas por satélite. Os pesquisadores se concentraram na luz ultravioleta derramada por um “envelope” de poeira e gás ao redor do núcleo do cometa.
Os átomos de carbono dos cometas tornam-se ionizados, ou carregados eletricamente, quando são atingidos por bastante energia do Sol. Os pesquisadores estudaram a radiação emitida por átomos de carbono para determinar quanto tempo leva para a maioria do carbono em um cometa ficar ionizada.
Eles descobriram que este processo ocorre depois de apenas 7 a 16 dias; muito mais rapidamente do que se pensava. Isso sugere que pesquisas anteriores superestimaram a quantidade de carbono nos cometas por um fator de até dois.
Os cientistas já sabiam que a luz solar podia “carregar” o carbono. Esses novos resultados mostram como o vento solar, as rajadas de partículas eletricamente carregadas a partir do Sol, também influencia o carbono no espaço.
Isso tinha sido previsto anteriormente, mas até agora ninguém tinha quantitativamente colocado todas as peças juntas e feito uma medida que confirmasse a especulação.
Essas descobertas aumentam a discussão do quanto os cometas poderiam ter contribuído com a vida na Terra. Ao modificar o conhecimento dos níveis de carbono nos cometas, a descoberta pode também influenciar os modelos de como essas rochas espaciais são formadas.
O próximo passo é estudar a dinâmica orbital dos cometas, que pode dizer algo acerca de onde eles vieram e do que eles são feitos. Essas informações forneceram uma visão dos primórdios do Sistema Solar.
Fonte: LiveScience

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Divulgada imagem do cometa Tempel 1

A sonda Stardust-NExT da NASA se encontrou com o cometa Tempel 1 ontem (14/02/2011).
cometa Tempel 1 visto pela sonda Stardust-NExT
© NASA (cometa Tempel 1 visto pela sonda Stardust-NExT)
O objetivo desse encontro é estudar pela primeira vez as mudanças na superfície do corpo celeste que circula entre as órbitas de Marte e Júpiter. Os dados desse novo empreendimento vão fornecer informações importantes sobre como se formam e evoluem a família de cometas de Júpiter.
A sonda continuará o trabalho de pesquisa sobre o cometa que começou em julho de 2005, quando a nave espacial Deep Impact lançou um projétil na superfície dele para estudar sua composição por meio do material desprendido na colisão. A imagem a seguir mostra duas crateras próximas do local do impacto focalizadas pelas sondas Deep Impact e Stardust-NExT.
crateras focalizadas pela Deep Impact e Stardust
© NASA (crateras focalizadas pela Deep Impact e Stardust)
A Stardust-NExT conta com sistemas capazes de capturar imagens da cratera criada pelo projétil, que deve fornecer uma grande quantidade de informações sobre a formação dos cometas.
local do impacto do projétil lançado pela Deep Impact
© NASA (local do impacto do projétil lançado pela Deep Impact)
O encontro ocorreu a 336 milhões de quilômetros da Terra, quando a sonda estava quase do lado oposto do Sistema Solar, e em determinado momento, ficou a apenas 180 km de distância do cometa. Durante o sobrevoo da Stardust-NExT estava previsto tirar 72 imagens, sendo cinco closes do núcleo do Tempel 1, mas surgiram fotos do cometa como se fosse somente um minúsculo ponto no espaço. As imagens foram armazenadas em um computador de bordo e enviadas à Terra para processamento, através de um transponder (transmissor/receptor de rádio), originalmente desenvolvido para a missão Cassini para Saturno, e um amplificador de estado sólido de 15 watts. As taxas de dados foram transmitidas em torno de 33 a 40 mil bits por segundo.
As imagens obtidas do cometa Tempel 1 pela sonda Stardust-NExT estão neste link.
Fonte: NASA