sábado, 17 de dezembro de 2011

Cometa Lovejoy sobrevive!

Não era esperado que o cometa C/2011 W3 (Lovejoy) sobrevivesse ao seu encontro com o Sol, como ocorre com a maioria dos cometas rasantes solar (Sungrazing).

animação do cometa Lovejoy durante a passagem periélica

© SOHO (animação do cometa Lovejoy durante a passagem periélica)

Mas ele sobreviveu. A animação acima mostra a passagem do cometa pelo Sol, desde a sua aproximação até o reaparecimento de seu núcleo do outro lado do Sol. A sequência de imagens foram obtidas através do coronógrafo a bordo da sonda SOHO e pode-se identificar a parte remanescente da cauda do cometa, com a brilhante cabeça do mesmo emergindo do outro lado do Sol no dia 16 de Dezembro de 2011. A posição do Sol, atrás do disco que está ocultando o cometa, é indicada pelo círculo branco. Separada da cauda, a coma do cometa Lovejoy é tão brilhante que satura os pixels da câmera, criando assim as estrias horizontais. Com base em suas órbitas, acredita-se que os cometas rasantes ao Sol pertençam à família de cometas Kreutz, ou seja, são cometas criados a partir de sucessivas rupturas ocorridas com um único grande cometa que passou bem perto do Sol no século XII. Estima-se que o cometa esteja a uma distância de 120.000 quilômetros da superfície do Sol e provavelmente tenha um núcleo cometário enorme para ter sobrevivido a esse encontro  durante o seu periélio.

Fonte: NASA e ESA

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cometa Lovejoy corre risco de vida

Em 27 de novembro de 2011, o cometa C/2011-W3 (Lovejoy) do grupo Kreutz foi descoberto.

cometa Lovejoy no campo de visão do SOHO LASCO C3

© SOHO (cometa Lovejoy no campo de visão da LASCO C3)

O satélite SOHO descobre esses objetos em média a cada três dias, mas este foi descoberto a partir de um telescópio terrestre. O cometa C/2011 W3 está sendo captado pelas sondas SOHO e STEREO.
É uma conquista significativa para o astrônomo australiano Terry Lovejoy, que além de ser um dos pioneiros da descoberta de cometas SOHO através da internet, agora pode reivindicar ser a primeira pessoa a descobrir um cometa rasante ao Sol tanto em solo como através de telescópios espaciais!
Tradicionalmente, e com raras excessões, descobertas em solo de cometas do grupo Kreutz têm proporcionado cometas brilhantes. Muito brilhante!

cometa Ikeya-Seki

© Roger Lynds (cometa Ikeya-Seki)

Em 1965, o cometa Ikeya-Seki foi tão brilhante, que poderia ser visto a olho nu antes da passagem periélica, bloqueando o Sol com a mão. Em 1970 o cometa C/1970 K1 White-Ortiz-Bolleli tinha sido o último a ser observado em solo do grupo Kreutz, porém após a passagem perélica.

cometa White-Ortiz-Bolelli

© ESO (C/1970 K1 White-Ortiz-Bolelli)

Segundo informou Karl Battams do Laboratório de Pesquisa Naval e detentor do excelente site Sungrazing Comets, o cometa mantem-se íntegro e com brilho o tempo todo. Atualmente com cerca de magnitude 1, o cometa Lovejoy agora está muito perto do Sol para ser visto da Terra. Os cometas rasantes ao Sol tipicamente brilham dramaticamente durante as várias horas antes do periélio. Previsões variam, mas é seguro dizer que provavelmente irá brilhar quase tão brilhante quanto ao planeta Vênus (magnitude -4).

O cometa Lovejoy realmente adquire velocidade de um milhão de quilômetros por hora na quinta-feira quando realiza uma trajetória rasante em torno do Sol.

Ninguém tem certeza se o cometa vai sobreviver ao seu encontro muito próximo com o Sol. As possibilidades incluem um início de ruptura devido ao calor solar ou até mesmo uma passagem brilhante em torno do Sol. O cometa passará a cerca de 140 mil quilômetros da superfície do Sol cuja temperatura é da ordem de 11.000ºC. Há possibilidade do cometa Lovejoy se evaporar, deixando apenas a cauda de poeira brilhante em seu caminho.
Apenas um cometa muito grande poderia sobreviver a este encontro infernal!

Fonte: NASA e ESA

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nuvem de fragmentos do cometa Elenin

Depois de muitas tentativas para encontrar qualquer vestígio do cometa Elenin, eles foram localizados.

os restos do cometa Elenin

© Ronaldo Ligustri (os restos do cometa Elenin)

Esta nuvem é facilmente vista na imagem obtida no dia 21 de outubro no Novo México pelo astrônomo italiano Ronaldo Ligustri.

Os astrônomos Ernesto Guido, Giovanni Sostero, e Nick Howes foram os primeiros que observaram em suas imagens, uma pequena nuvem estendida visível com brilho superficial baixo.

nuvem de fragmentos do cometa Elenin

© Guido, Sostero e Howes (nuvem de fragmentos do cometa Elenin)

Durante a noite de 21-22 outubro no observatório ISON-NM o astrônomo russo Leonid Elenin, descobridor do cometa, também fez observações acompanhando os restos do cometa 2010 X1 (Elenin), e o movimento da nuvem foi confirmada. A Lua saindo e o remanescente do cometa subindo mais alto no céu propiciará num futuro próximo novas imagens deste objeto.

Fonte: SpaceObs e Cometas Blog

sábado, 8 de outubro de 2011

Cometa Elenin se desintegrou?

Com base em primeiras imagens do cometa Elenin após sua saída da conjunção com o Sol, provavelmente o cometa se desintegrou na sua maioria. Talvez ainda podemos observar enxame de detritos do cometa.

posição do cometa Elenin

© Leonid Elenin (posição do cometa Elenin)

Esta imagem foi obtida no dia 6 de outubro, pelo próprio descobridor do cometa, Leonid Elenin, que usou o mesmo telescópio robótico que descobriu o cometa em 2010. Leonid fez uma única exposição de 30 segundos no quadrante de onde o objeto deveria ser encontrado.

Devido às condições desfavoráveis para o sensoriamento, a imagem não pode ser considerada como prova de que o cometa realmente se desintegrou completamente, mas com certeza ocorreu uma ruptura parcial. O objeto está muito próximo ao horizonte e a imagem já revela os primeiros sinais da interferência do Sol, impedindo uma observação mais sensível.

Atualmente, a luminosidade deste objeto não ultrapassa da magnitude 18.

Nos próximos dias o cometa estará nascendo mais cedo no quadrante leste sofrendo menos inflência da alvorada, porém a presença da Lua Cheia deverá novamente interferir nas observações óticas.

Espera-se que no futuro próximo os restos do cometa sejam observados em um telescópio de grande porte.

Fonte: SpaceObs

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A água da Terra pode ter vindo do espaço

Uma boa proporção de água dos oceanos pode ter se originado dos cometas e asteroides, mais do que era estimado até agora, talvez até toda a água, segundo um grupo de cientistas que estudou um desses corpos celestes.

cometa Hartley 2

© NASA (cometa Hartley 2)

Essa conclusão foi alcançada por uma equipe internacional de especialistas coordenado por Paul Hartogh, do Instituto Max-Planck para Estudos do Sistema Solar, da Alemanha, após detectar pela primeira vez em um cometa água com uma composição similar à dos oceanos terrestres.

Sua pesquisa pôde ser realizada graças aos instrumentos do Observatório Espacial Herschel da ESA (agência espacial europeia). Os cientistas descobriram que a água dos oceanos terrestres tem a mesma composição que o gelo encontrado em um cometa identificado como 103P/Hartley 2, da família de Júpiter (corpos que orbitam o planeta gigante), cuja origem estaria na nuvem de Oort - fora do Sistema Solar. Para chegar a esta conclusão, Hartogh e seus companheiros determinaram a proporção de deutério (hidrogênio pesado) e hidrogênio comum (D/H) na água do 103P/Hartley 2.

cometa Hartley 2 visto pelo Herschel

© ESA (cometa Hartley 2 visto pelo Herschel)

Esta ilustração mostra a órbita do cometa Hartley 2 em relação aos dos cinco planetas mais interiores do Sistema Solar. O cometa fez sua última passagem perto da Terra em 20 de outubro, chegando a 19,45 milhões de quilômetros. Nesta ocasião, Herschel observou o cometa. A inserção do lado direito mostra a imagem obtida com o instrumento Herschel PACS. As duas linhas são os dados de água do instrumento HIFI (Instrumento Heterodino para Infravermelho Distante de Herschel).

Outros seis cometas, analisados nos últimos anos com o mesmo HIFI, deram valores muito diferentes do D/H existente em nossos oceanos, mas não diminui o entusiasmo dos cientistas, já que na época da formação do Sistema Solar os cometas do tipo de Hartley 2 seriam bem mais comuns.

As análises sobre a origem dos oceanos foram motivo de debate já que várias pesquisas apontavam que procedeu principalmente do impacto dos asteroides com a Terra. Hartogh explica que, no seu período de formação, a Terra era muito seca e por isso a água existente nesse momento evaporou no espaço.

Segundo os cientistas, a água deve ter surgido 8 milhões de anos depois da formação do planeta, por isso a possível origem da água foram os cometas e os asteroides. É possível estabelecer de onde procedeu a água analisando a composição isotópica, especialmente a proporção de deutério (D/H).

Fonte: Nature