sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Descoberto cometa genuinamente brasileiro

Utilizando um telescópio instalado no interior de Minas Gerais, um grupo de brasileiros conseguiu detectar e confirmar a descoberta do primeiro cometa brasileiro em território nacional.

cometa SONEAR

© Remanzacco Observatory (C/2014 A4 SONEAR)

Lembrando que, no dia 26 de fevereiro de 1860, o cometa Olinda foi descoberto pelo astrônomo francês Emmanuel Liais, que estava a serviço do Observatório Imperial de Paris. A descoberta foi feita no observatório do Alto da Sé, situado em Olinda, Pernambuco, Brasil. Foi o primeiro cometa descoberto na América do Sul e era o único cometa descoberto em território brasileiro. Em 1882 foi descoberto também em território nacional o cometa C/1882 R1 Cruls pelo belga, naturalizado brasileiro, Louis Ferdinand Cruls do Observatório Imperial do Rio de Janeiro. Apesar de existirem alguns registros anteriores ao de Cruls, o Observatório Imperial foi o primeiro a medir a posição e divulgar à comunidade científica por meio de mensagem telegráfica enviada aos editores da revista L'Astronomie. O brasileiro Paulo Holvorcem descobriu vários objetos, sendo dois cometas de maneira solidária, porém as descobertas ocorreram fora do Brasil.

Agora, um cometa genuinamente brasileiro, denominado de C/2014 A4 SONEAR, o objeto foi descoberto pelos astrônomos brasileiros Cristovão Jacques, Eduardo Pimentel e João Ribeiro de Barros a partir de imagens feitas no dia 12 de janeiro de 2014, como um objeto de magnitude 18 localizado na constelação da Pomba (Columba). Os registros foram obtidos através de um telescópio de 457 mm (18"), com câmera CCD acoplada, instalado no observatório SONEAR (Southern Observatory for Near Earth Asteroid Research), localizado na cidade mineira de Oliveira.

A detecção do objeto, que inicialmente tinha um aspecto asteroidal, foi primeiramente submetida à União Astronômica Internacional (IAU), e diversos astrônomos passaram a executar as medições (astrometria) do novo objeto antes que a descoberta fosse confirmada.

Em 13 de janeiro, um dia após a detecção inicial, os astrônomos Ernesto Guido, Nick Howes e Martino Nicolini, ligados ao Observatório Remanzacco, na Itália, coletaram 19 imagens a partir de um telescópio robótico instalado em Siding Spring, na Austrália, confirmando a existência de uma pequena coma ligeiramente elongada no sentido norte-este, que pode ser vista na imagem acima.

Outra série de 25 exposições feitas no dia 14 de janeiro também confirmou que o objeto descoberto era de fato um cometa, com uma difusa coma de 8 arcosegundos de diâmetro.

Finalmente, após 3 dias de observações, em 16 de janeiro de 2014 a IAU confirmou a descoberta dos astrônomos brasileiros, batizando oficialmente de C/214 A4 SONEAR o primeiro astro desse tipo descoberto no Brasil por brasileiros.

De acordo com os recentes elementos orbitais, C/214 A4 SONEAR é um cometa de orbita parabólica, provavelmente originado na nuvem de Oort. Quando detectado, se encontrava a cerca de 5,68 UA (Unidade Astronômica, equivalente a cerca de 149,5 milhões de km) da Terra e 6,33 UA do Sol, com órbita altamente inclinada de 121 graus. Ele atingirá o periélio em 11 de setembro de 2015, quando passará a 3,82 UA do Sol, cerca de 571 milhões de quilômetros.

Fonte: SONEAR e Remanzacco Observatory

sábado, 30 de novembro de 2013

Os restos mortais do cometa ISON

O cometa C/2012 S1 ISON não apresenta sinais de atividade e devido a fragmentação tornou-se uma nuvem de debris (estilhaços).

cometa ISON

© SOHO (cometa ISON)

A imagem acima obtida pela câmara LASCO C3 da sonda SOHO indica uma acentuada queda de brilho após a passagem periélica, atualmente na 5ª magnitude. Nesta imagem o cometa ISON está trestes a sair do campo de visão da câmara.

A grande perda de material, pode ser observada através da animação abaixo, que descreve a trajetória do cometa, antes e depois da maior aproximação da coroa solar, obtida pela câmara COR2-A da sonda STEREO da NASA.

trajetória do cometa ISON no periélio

© STEREO/COR2-A (trajetória do cometa ISON no periélio)

Mas, ainda há dúvida se restou um pedaço do núcleo e se ele está ativo, ou seja, produzindo algum gás. O diâmetro do núcleo do cometa ISON era de cerca de 1,4 km, porém, agora é muito menor. Brevemente, saberemos a respeito quando o telescópio espacial Hubble captar uma imagem mais nítida nos últimos dias do ano.

O desvanecimento de brilho e o afastamento do cometa em relação ao Sol desfavorece completamente a visão a olho nu do astro na próxima semana, preferencialmente no hemisfério norte.

A passagem rasante do cometa ISON fragilizou sua estrutura, e seu renascimento temporário pode ter sido seu último suspiro!

Fonte: NASA e Cometas Blog

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cometa ISON ressurge das cinzas

O cometa C/2012 S1 ISON não resistiu ao periélio e foi quase totalmente consumido pelo calor do Sol.

fragmento do cometa ISON

© SOHO/LASCO C3 (fragmento do cometa ISON)

Depois que todo mundo viu o cometa reduzir paulatinamente de brilho e sumir por trás do Sol, parecia que o destino estava selado. Redução rápida de magnitude significava fragmentação, e um cometa aos pedaços não resistiria aos 2.700 ºC durante a passagem a 1,2 milhão de km de uma estrela. A essa temperatura, aos pedaços, todo o gelo sofre sublimação. No auge da aproximação, o cometa se deslocava a mais de 350 km/s pela atmosfera solar.

fragmento do cometa ISON

© SOHO/LASCO C2 (fragmento do cometa ISON)

Existe indícios de que possivelmente o cometa ISON se desintegrou parcialmente às 17:40 (UTC) em 28 de novembro de 2013. Porém, um rastro de fragmentos foi observado logo após o periélio, através de imagens obtidas pelas câmeras C2 e C3 da sonda SOHO, indicando que uma pequena parte do núcleo do ISON sobreviveu ao periélio.

Embora o cometa ISON tenha sofrido ruptura, oferece uma oportunidade muito rara, já que possibilita observar como um dos objetos mais antigos do Sistema Solar interage com o campo magnético do Sol.

Que outras surpresas o cometa ISON nos reserva, além de uma ressurreição?

Fonte: NASA

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sondas captam aproximação do cometa ISON

No início desta quarta-feira o cometa C/2012 S1 ISON penetrou no campo de visão do coronógrafo LASCO C3 da sonda SOHO (Solar and Heliospheric Observatory).

cometa ISON

© SOHO/LASCO C3 (cometa ISON)

As primeiras imagens do coronógrafo LASCO C3 mostravam o cometa ISON aparentemente íntegro quando estava a apenas 22 milhões de quilômetros da superfície do Sol. O cometa ISON surgiu lentamente pelo canto inferior direito da imagem, com velocidade estimada em 830 mil km/h. À medida que se aproxima do Sol essa velocidade vai aumentar ainda mais até atingir o periélio na quinta-feira, às 18h38 BRT, quando o cometa ISON chegará a apenas 1,1 milhão de quilômetros da superfície, cuja velocidade neste momento será de 1,36 milhão km/h. Esta velocidade será suficiente para fazê-lo contornar o Sol, desde que suporte o calor intenso de 2 milhões de graus na região plasmática da coroa solar e também a influência das forças de maré durante a máxima atração gravitacional.

Alguns dias antes a sonda STEREO (Solar TErrestrial RElations Observatory) através das cãmeras SECCHI (Sun Earth Connection Coronal and Heliospheric Investigation) acompanhou o cometa ISON aproximando do Sol, visto na filme a seguir.

© STEREO/SECCHI (cometa ISON)

Este filme mostra o cometa ISON, o planeta Mercúrio, o cometa Encke e a Terra ao longo de um período de cinco dias (a partir de 20 novembro até 25 novembro de 2013). O Sol está à direita do campo de visão da câmera.

Fonte: NASA

sábado, 23 de novembro de 2013

O cometa ISON perde fragmentos individuais

Um ou mais fragmentos poderão ter-se separado do núcleo do cometa ISON nos últimos dias.

imagem da estrutura alada do cometa ISON

© O. Wendelstein (imagem da estrutura alada do cometa ISON)

Duas estruturas tipo-asa no ambiente gasoso em redor do cometa, fotografadas por uma equipe de cientistas do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar e do Observatório Wendelstein da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, parecem indicar isso; as estruturas aparecem em imagens obtidas no final da semana passada. Este distanciamento de pedaços individuais de detritos pode possivelmente explicar o recente aumento de brilho do cometa.

O cometa ISON tem decepcionado muitos astrônomos amadores ao longo da sua viagem até ao Sol. O brilho do cometa, que passará no dia 28 pela superfície do Sol a uma relativamente pequena distância de pouco mais de um milhão de quilômetros, não aumentou tanto quanto inicialmente se esperava. No final da semana passada, a luminosidade do ISON subiu dramaticamente com vários observadores a relatando um considerável aumento de brilho.

Uma possível indicação para a causa do surto é fornecida por imagens do cometa obtidas e avaliadas recentemente por cientistas do Observatório Wendelstein e do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar.

As análises mostram duas estruturas visíveis na atmosfera do cometa que se estendem a partir do núcleo como asas. Estas "asas" eram ainda bastante fracas no dia 14 de novembro, mas dominavam claramente as imagens obtidas dois dias depois. "Tais estruturas ocorrem tipicamente após a separação de fragmentos individuais a partir do núcleo cometário," realça Hermann Böhnhardt do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar.

Tal como o núcleo do cometa, os seus fragmentos também libertam gás e poeira para o espaço. Se as emissões do cometa e dos fragmentos menores se encontram, é gerada uma espécie de camada separadora e por vezes tem um carácter tipo-asa. Se o aumento de brilho visto nos últimos dias foi também provocado pela divisão dos fragmentos, "isso não pode ser afirmado com certeza," acrescenta Böhnhardt. No entanto, esta relação foi comprovada noutros cometas.

As estruturas tipo-asa nas imagens não podem ser avistadas a olho nu, são necessários métodos numéricos para aparecerem em imagens processadas. Para este fim, deve ser analisado o ambiente gasoso do cometa no computador em busca de mudanças de brilho. O uniforme pano de fundo da atmosfera do cometa é subtraído e deixa assim de eclipsar as frágeis estruturas. "As nossas simulações indicam que ou apenas se dividiu uma única parcela, ou apenas poucos pedaços menores," afirma Böhnhardt.

Ainda não se sabe como o cometa irá comportar-se nas próximas semanas, quando der a volta ao Sol. "No entanto, a experiência passada mostra que os cometas que perdem fragmentos têm tendência para fazê-lo novamente," conclui Böhnhardt.

No dia 19 de novembro o cometa ISON apresentou uma desconexão, observada na imagem a seguir obtida por Joseph Brimacombe.

desconexão no cometa ISON

© Joseph Brimacombe (desconexão no cometa ISON)

Fonte: Instituto Max Planck